Por várias vezes fui questionada sobre o que a Ciência teria a dizer sobre a questão da orientação sexual das pessoas. Se alguém escolhe sua condição sexual, se ela sempre foi gay ou heterossexual ou bissexual, se é uma questão puramente social...
Contradizendo o que algumas religiões pregam, se não a maioria delas, a Ciência, pelo menos em todos os meus achados da academia científica, responde que essas variações de orientação sexual acontecem naturalmente e que vem registrado na pessoa desde o período da gestação quando o cérebro do bebê ainda está em processo de desenvolvimento. Essa característica já foi encontrada inclusive em outros seres vivos.
Bom, para começarmos falando a mesma língua, darei o conceito de ORIENTAÇÃO SEXUAL:
Contradizendo o que algumas religiões pregam, se não a maioria delas, a Ciência, pelo menos em todos os meus achados da academia científica, responde que essas variações de orientação sexual acontecem naturalmente e que vem registrado na pessoa desde o período da gestação quando o cérebro do bebê ainda está em processo de desenvolvimento. Essa característica já foi encontrada inclusive em outros seres vivos.
Bom, para começarmos falando a mesma língua, darei o conceito de ORIENTAÇÃO SEXUAL:
Orientação sexual tem a ver com qual ou quais gêneros você se sente atraído.
As variações mais conhecidas são:
- Heterossexual - Atração sexual e emocional entre pessoas de sexos opostos.
- Homossexual - Atração sexual e afetiva entre indivíduos do mesmo sexo.
- Bissexual - Atração sexual e sentimental entre pessoas tanto do mesmo sexo como do sexo oposto.
- Pansexual - É caracterizada pela atração sexual ou romântica por pessoas independentemente do sexo ou gênero. Podem sentir-se atraídos por homens, mulheres ou também por pessoas que não se sentem identificadas com o seu gênero incluindo intersexuais, transsexuais e intergêneros.
- Assexual - É a falta de orientação e desejo sexual. As pessoas assexuais não sentem atração física ou sexual para com nenhuma pessoa e não sentem desejo pelo prazer sexual, pelo que não se identificam com nenhuma orientação sexual definida.
Abaixo vou listar alguns dos meus achados e espero que seja útil para você.
Caso tenha alguma dúvida pode deixar nos comentários. No final estará linkado toda informação que usei como referência.
A) ORDEM DE NASCIMENTO FRATERNAL
Caso tenha alguma dúvida pode deixar nos comentários. No final estará linkado toda informação que usei como referência.
A) ORDEM DE NASCIMENTO FRATERNAL
Os irmãos mais novos tem mais chance de não serem heterossexuais.
Estudos feitos desde a década de 90 nos Estados Unidos, Inglaterra e Canadá apontam que essa evidência seria válida apenas bebês biologicamente masculinos. A hipótese é a de que quanto mais irmãos mais velhos se têm, maior a chance de o último menino a nascer ser homossexual.
A explicação estaria no fato de que com sucessivas gravidezes de meninos, a mãe passaria a produzir antígenos masculinos e que se transfeririam através da placenta e afetariam a diferenciação sexual do cérebro em cada um dos sucessivos fetos masculinos. O mesmo não ocorreria em gravidezes de meninas já que estes antígenos afetariam apenas expressões de diferenciação sexual referentes ao gene Y (masculino).
Estudos de 2006 apontam que não somente irmãos consanguíneos "induziriam" a mãe a produzir esse antígeno. Fatores externos também poderiam fazer essa indução, como por exemplo a convivência durante a gestação com filhos homens adotivos.
B) ANDROGENIZAÇÃO CEREBRAL E A RELAÇÃO ENTRE DEDOS ANELARES E INDICADORES
"Os dedos indicariam a condição sexual ainda na vida uterina"
A exposição a altos ou a baixos níveis de testosterona durante a gravidez afetaria o sistema imunológico e também ao desenvolvimento cerebral do feto. Foi descoberto que esta exposição alteraria genes específicos que curiosamente estão ligados à formação de características sexuais e também ao controle do crescimento dos dedos das mãos. A partir disso foi criada uma relação entre o tamanho dos dedos anelar e indicador e a condição sexual do indivíduo.
Para homens não primogênitos e para mulheres que possuem os dedos anelar e indicador com tamanhos diferentes, a chance de não ser heterossexual era maior. Nos homens primogênitos verificou-se que a maioria dos homossexuais que foram estudados não foi possível estabelecer esta relação, ou seja, houveram homossexuais com dedos anelar e indicador de tamanhos iguais e de tamanhos diferentes.
Esta pesquisa foi feita em torno de 2000.
OBSERVAÇÃO: Por mais que esta pesquisa relacione a diferença do tamanho dos dedos apenas com a homossexualidade, posso entender que a alteração na formação das características afetivas durante o processo de desenvolvimento do cérebro pode resultar no fato de a pessoa não ser heterossexual, ou seja, ela pode apresentar os outros tipos de condições descritas. Esta informação também é válida para os outros tópicos.
C) ATIVAÇÃO CEREBRAL POR FEROMÔNIOS
Esta pesquisa não fala exatamente do processo na formação do feto, mas apresenta um fato. Ela indica um dimorfismo sexual em regiões do cérebro responsáveis pela atração por feromônios masculino e/ou feminino. Ou seja, essas regiões no cérebro possuem características próprias em homens e mulheres. Dado a isso, verificou-se que essa região em homens homossexuais, eram semelhantes à região do cérebro de uma mulher heterossexual e assim o oposto.
Penso que com isso, em pessoas que se encontram no leque entre homo e o heterossexual, o cérebro deve apresentar características do homem e da mulher em intensidades variadas de acordo com a atração e em pessoas assexuais essa região não seria ativada (posso estar errada).
Os cientistas não conseguiram pesquisar ainda se esse dimorfismo é gerado no desenvolvimento fetal ou se há a possibilidade da formação ocorrer depois de a pessoa se identificar com a orientação sexual.
D) HEREDITARIEDADE EPIGENÉTICA
D) HEREDITARIEDADE EPIGENÉTICA
Este estudo fala da possível presença de marcadores genéticos que seriam transmitidos geneticamente de mãe para filhos responsáveis por tornar os genes mais sensíveis ou não à presença de testosterona no corpo da mãe durante a gestação e/ou também ativarem genes específicos relacionados à orientação sexual (LEIA MAIS).
Como foi dito no item B, a quantidade de testosterona na mãe durante a gestação pode alterar o processo de formação da orientação sexual do bebê. Neste caso, o corpo do bebê seria mais sensível ou não à presença da testosterona, ou seja, a testosterona pode influenciar acima ou abaixo dos níveis considerados ideais, afetando a forma que os genes do bebê vão se expressar.
Quando se fala de alterações pela presença do hormônio testosterona, eu estou falando não apenas na formação da orientação sexual. Estudos sugerem que características sexuais primárias também podem ser afetadas, como formação das gônadas (testículos e óvulos), podendo resultar em formação alterada dos mesmos. Como no caso de pessoas intersexuais, que possuem características físicas dos dois sexos, masculino e feminino podendo se perceber como sendo homem e/ou mulher, e no caso de transgêneros que são pessoas que apresentam características físicas de um gênero mas intelectualmente o cérebro se desenvolveu com características do outro gênero.
D1) POLIMORFISMO GENÉTICO
Quando estamos estudando genética na escola, vemos que nossos genes vem em pares. Sendo metade vindos da mãe e a outra metade vindos do pai. Por isso após a fecundação dizemos que há a "pareação" dos genes, ou seja, os pares homólogos (responsáveis pela transmissão das mesmas características) se ajuntam.
Como foi dito no item B, a quantidade de testosterona na mãe durante a gestação pode alterar o processo de formação da orientação sexual do bebê. Neste caso, o corpo do bebê seria mais sensível ou não à presença da testosterona, ou seja, a testosterona pode influenciar acima ou abaixo dos níveis considerados ideais, afetando a forma que os genes do bebê vão se expressar.
Quando se fala de alterações pela presença do hormônio testosterona, eu estou falando não apenas na formação da orientação sexual. Estudos sugerem que características sexuais primárias também podem ser afetadas, como formação das gônadas (testículos e óvulos), podendo resultar em formação alterada dos mesmos. Como no caso de pessoas intersexuais, que possuem características físicas dos dois sexos, masculino e feminino podendo se perceber como sendo homem e/ou mulher, e no caso de transgêneros que são pessoas que apresentam características físicas de um gênero mas intelectualmente o cérebro se desenvolveu com características do outro gênero.
D1) POLIMORFISMO GENÉTICO
O Polimorfismo Genético seria a alteração desses genes onde um gene fica diferente do seu par, resultando na expressão de formas alteradas.
Sendo assim, no ano 2000, um psicólogo evolucionista chamado Edward Miller propôs que o polimorfismo genético no caso da homossexualidade masculina, aconteceria em genes que impedem a androgenização, ou seja, esses genes promovem a diferenciação homem-mulher, só que de uma forma equilibrada deixando no homem as características físicas masculinas e alterando a percepção de mundo (no caso, entendo como homossexuais com características estereotipadamente chamados de afeminados e também pessoas transsexuais).
Sabe-se que até o período da formação completa das características sexuais do feto, este apresenta-se com características de um feto feminino e só depois há a alteração, amadurecendo, formando completamente as características femininas ou masculinas. Por isso que no caso de se querer determinar o sexo do bebê na barriga antes do período certo do desenvolvimento pode resultar-se em se achar erroneamente que é do sexo feminino.
OBSERVAÇÃO: Quando se trata de expressão genética, ou seja, de como as características do indivíduo vão ser formadas, deve sempre levar em conta que o ambiente também pode induzir genes a se expressarem ou não. No caso desta pesquisa, os pesquisadores envolvidos também se questionaram na possibilidade de o ambiente estar alterando a forma em que os genes responsáveis pela não androgenização está se expressando.
D2) PADRÃO DE HERANÇA LIGADA AO CROMOSSOMO X
![]() |
| https://pixabay.com/pt/m%C3%A3e-filha-amor-p%C3%B4r-do-sol-mar-429158/ |
Estes estudos apesar de apresentarem muitos indicativos de falha por questões metodológicas, investigam a possível presença de um gene ligado à orientação sexual.
Nas investigações pensa-se que o gene pode apresentar-se por herança materna.
O que isso quer dizer?
Sabe-se que a mulher apresenta cromossomos sexuais apenas do tipo X e como são pares apresentam-se como cromossomos XX e o homem apresenta dois tipos de cromossomos sexuais X e Y apresentando-se então como cromossomos XY.
Os gametas do pai (espermatozoide) e da mãe (óvulo) só tem um de cada par de cromossomos para depois se juntarem na fecundação. Então a mãe pode ter gametas com genes sexuais do tipo X e o pai pode ter gametas com genes sexuais do tipo X e Y
MÃE: gameta tipo 1: (X) e gameta tipo 2: (X)
PAI: gameta tipo 1 (X) e gameta tipo 2: (Y)
Como o feto vai resultar na junção dos gametas, ou seja, de um dos cromossomos de cada pai, poderemos ter os seguintes resultados combinando as possibilidades:
(X)(X) e (X)(X) = feminino
(X)(Y) e (X)(Y) = masculino
Como nestas pesquisas a investigação foi feita apenas com homens (cromossomos XY), percebeu-se que na família materna dos investigados que apresentavam mais pessoas homossexuais, estes também eram homossexuais e os homens heterossexuais apresentavam a família materna com pouca ou nenhuma incidência de homossexualidade. Daí concluiu-se que a característica poderia estar passando pelo cromossomo X. Como não foi investigado a família paterna nada pode se afirmar sobre a participação genética paterna. Outras pesquisas ocorridas ainda apresentam-se inconclusivas, sendo portanto, ainda, apenas uma hipótese importante a ser investigada.
D3) GÊMEOS UNIVITELINOS
Percebeu-se uma certa inclinação à homossexualidade entre irmãos quando um destes é homossexual. O resultado mais conclusivo até então é esta probabilidade certeira entre irmãos univitelínicos, ou seja, irmãos fraternos ou monozigóticos, popularmente conhecidos como gêmeos idênticos.
D4) SELEÇÃO SEXUAL ANTAGÔNICA
![]() |
| https://pixabay.com/pt/gr%C3%A1vidas-gravidez-m%C3%A3e-crian%C3%A7a-775036/ |
Ao estudar as regiões DNA em que se tratava, percebeu que nas mulheres o cromossomo X promovia essa fertilidade e nos homens, esse cromossomo X ativaria a expressão de um gene localizado em um cromossomo não sexual, fazendo-se expressar características da condição homossexual nos homens.
Neste caso não pode-se fazer afirmações para a homossexualidade em mulheres porque não foi investigado aqui mulheres homossexuais.
...
Em entrevista para a revista El Mundo o neurólogo Dick Swaab fala sobre a determinação do sexo do bebê dentro do útero: (assista ou leia a entrevista completa em espanhol clicando aqui)
A orientação sexual do indivíduo é determinada no útero materno por uma série de fatores. 50% deles são genéticos e outros são interações entre hormônios e células do cérebro em desenvolvimento. Pode haver muitos outros fatores envolvidos, também externos. Como o estresse da mãe durante a gravidez que secreta altos níveis de hormônios como cortisol que atravessa a placenta e interage com os hormônios do cérebro em desenvolvimento, também o tabaco (a nicotina também afeta o cérebro em desenvolvimento), certas drogas, e outros compostos do tipo hormonal… Há um outro fator interessante que também influencia: o número de filhos nascidos antes de você. É uma questão imunológica, quando a mãe está grávida de uma criança, gera uma proteína que o corpo da mãe reconhece como estranho e produz anticorpos contra esse composto reconhecido como estranho. Quanto mais filhos tiverem, mas eficientes são esses anticorpos e isso influencia na orientação sexual do cérebro da criança em desenvolvimento.
Para leitura mais aprofundada acesse as referências bibliográficas e caso se interesse por mais postagens como esta deixe sugestões nos comentários.
CARDOSO, Fernando Luiz. O conceito de orientação sexual na encruzilhada entre sexo, gênero e motricidade. Interamerican Journal of Psychology, v. 42, n. 1, 2008.
Savic I, Lindström P. PET e MRI mostram diferenças na assimetria cerebral e conectividade funcional entre indivíduos homossexuais e heterossexuais. Procedimentos da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos da América . 2008; 105 (27): 9403-9408. Doi: 10.1073 / pnas.0801566105.
Savic I, Berglund H, Lindström P. Resposta cerebral a feteronas putativas em homens homossexuais. Procedimentos da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos da América . 2005; 102 (20): 7356-7361. Doi: 10.1073 / pnas.0407998102.
Berglund H, Lindström P, Savic I. Resposta cerebral a feromonas putativas em mulheres lésbicas. Procedimentos da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos da América . 2006; 103 (21): 8269-8274. Doi: 10.1073 / pnas.0600331103.
Sites ou artigos sem referência completa:
http://www.cienciahoje.org.br/noticia/v/ler/id/646/n/como_a_opcao_sexual_se_manifesta_no_cerebro/Post_page/3
https://doi.org/10.1017/S0033291714002451
http://www.elmundo.es/salud/2014/02/12/52fa7ad5e2704edb698b4588.html
https://universoracionalista.org/a-orientacao-sexual-e-determinada-no-utero/
http://veja.abril.com.br/ciencia/homossexualidade-pode-ser-influenciada-pela-epigenetica/
http://www.lgbt.pt/conheca-os-tipos-de-orientacao-sexual/
https://ep70.eventpilotadmin.com/web/page.php?page=IntHtml&project=ASHG15&id=150123267
Indicação BÔNUS de publicação sobre o assunto:









Comentários
Postar um comentário